Xadrez: um tabuleiro para projetos – Parte 2

Por em junho 10, 2014 - Visualizado 1354 Vezes

Esta é a continuação e última parte do artigo iniciado na publicação anterior. Recomendamos que antes de continuar você leia a parte 1.


 

Recursos Humanos – Bispo

Igualmente como os recursos humanos de um projeto, os bispos são importantes, escassos e finitos. Com movimentos diagonais, ao usá-los com inteligência e apropriadamente, podemos conquistar posições valiosas. Potencialmente usado em táticas de ataque, facilita as ações de xeque e xeque-mate.

Contratar e gerenciar a equipe do projeto, acompanhamento o desempenho dos membros e providenciando o desenvolvimento ou aprimoramento de suas competências são responsabilidades do GP. Do ponto de vista gerencial, os recursos humanos empregados no momento e quantidade corretos, com a competência necessária, minimizam o esforço de coordenação e auxilia na resolução de problemas de interação entre os membros da equipe para o GP atento.

 

Comunicações – Peões

Por sua limitação de movimentos (apenas uma casa por vez), geralmente é ignorado por nós e também pelos adversários. Entretanto, uma jogada mal executada e um peão é eliminado.

Na gestão das comunicações empregamos os processos necessários para garantir a geração, coleta, distribuição, armazenamento, recuperação e destino das informações sobre o projeto da forma mais adequada.

Em projetos, as comunicações podem auxiliar ou atrapalhar. Não é à toa que todos os envolvidos devem entender como as comunicações afetam o projeto como um todo e os GPs gastam muito tempo na comunicação com a equipe, partes interessadas, alta gerência, cliente e patrocinador.

Os peões mesmo limitados podem percorrer todo o tabuleiro, portanto, cuide das comunicações do seu projeto tão bem quanto cuida dos seus peões. Lembre-se que um peão que atinge o lado oposto do tabuleiro pode tornar-se uma rainha, que será muito mais útil no caminho da vitória.

 

Riscos

A noção de risco é diversa, mas em geral pode ser definida como a atenção dirigida à ocorrência de eventos futuros, cujo resultado exato é desconhecido. Em projetos, os riscos são um conjunto de eventos incertos sob a forma de ameaça ou oportunidade que, se ocorrerem, influenciam pelo menos um objetivo do projeto, negativamente ou positivamente, ocasionando efeito nos aspectos de tempo, custo, escopo ou qualidade.

E numa partida de xadrez, quais os riscos? Vamos analisar todo o contexto. É uma disputa recreativa entre amigos ou uma eliminatória de um campeonato valendo premiação e prestígio? Há torcida favorável ou desfavorável? Você está preparado para o torneio, fez treinamentos suficientes, estudou as táticas do adversário e teve uma boa noite de descanso? Claro, o risco principal é perder a partida, mas todos esses fatores externos podem potencialmente contribuir para um desfecho positivo ou não, ganhar ou perder.

Em projetos não é diferente, a necessidade de identificar e gerenciar os riscos tem como fundamento a existência de fatores internos e externos que dependendo de aspectos circunstanciais, podem alterar os objetivos do projeto.

Para cada risco conhecido, o GP deve analisar sua prioridade, avaliando a probabilidade de ocorrência e impacto, identificar ações de tratamento preventivamente para que caso o risco realmente ocorra, o impacto seja minimizado ou anulado. O GP deve ainda documentar todas as decisões tomadas, notificar os responsáveis e garantir seu comprometimento na resolução das ações.

 

Aquisições – Peças do oponente capturadas

Cuidar das compras e aquisições de produtos ou serviços para a realização do trabalho, além da administração de contratos também são responsabilidades do GP durante o gerenciamento.

A preocupação com compras e aquisições em projetos é complexa, incluí considerações sobre fornecedores, fatores ambientais da empresa, além de acesso ou controle aos ativos organizacionais. Sem as aquisições necessárias, o projeto poderá não atingir seus objetivos ou nem mesmo ser implantado (pendência de infraestrutura, equipamentos, licenças, etc).

No jogo, adquirimos as peças do oponente, capturando-as e ocupando posições estratégicas no tabuleiro, preparando jogadas para um xeque-mate (conclusão do projeto).

 

Partes Interessadas – Jogadores e plateia

Os indivíduos ou organizações cujo interesse possa ser afetado pelos resultados de um projeto, de forma positiva ou negativa, são as partes interessadas, também conhecidas pelo termo em inglês “stakeholders”. Um plano para identificação e gerenciamento destas partes interessadas deve ser complementado por um plano de comunicação.

O projeto irá atender necessidades dessas partes interessadas e estas são responsáveis por colaborar no atendimento aos objetivos do projeto, influenciando o seu resultado. Durante a condução dos processos de gerenciamento, os GPs interagem diretamente com as partes interessadas.

No jogo de xadrez, o jogador profissional é o próprio GP que usa o tabuleiro, arquiteta suas jogadas ensaiadas de acordo com os movimentos do oponente, observa o relógio de jogo. Preocupa-se com os fornecedores de material e é atento com seu público, que pagou para assistir seu espetáculo. Muitas vezes é pressionado pelos patrocinadores, em busca de resultados positivos. Na plateia podemos selecionar muitos stakeholders, como os patrocinadores, apostadores, equipe e outros impactados.

Em projetos, os principais stakeholders são o cliente, o patrocinador, alta gerência da organização, equipe do projeto, fornecedores e Escritório de Projetos. Em algumas situações, funcionários de determinadas áreas impactadas e até mesmo a população de uma localidade podem estar entre as partes interessadas.

Com o gerenciamento efetivo das partes interessadas através de um plano, o GP consegue aumentar o apoio, reduzir as resistências e minimizar qualquer impacto negativo das partes interessadas durante todo o ciclo de vida do projeto. Mas atenção, geralmente essa documentação contém informações confidenciais e deve ser manuseado somente pelo GP e pessoas autorizadas.

Resumo comparativo:

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E você profissional de GP, concorda com essa visão comparativa ou acha que não faz o menor sentido? Deixe seu comentário.


Referências:

PMBOK – PMI 5ª Ed. (definições sobre gerenciamento de projetos)

Wikipedia.org/wiki/Xadrez (definições sobre o jogo de xadrez)

Figura do post: “ChessSet” – Licença CC BY-SA 3.0

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