Xadrez: um tabuleiro para projetos – Parte 1

Por em junho 3, 2014 - Visualizado 1293 Vezes

A origem da palavra estratégia vem do grego antigo stratègós e tinha como significado a ciência dos movimentos e planejamento da guerra, ou seja, “a arte do general”. Atualmente, estratégia é uma das palavras mais utilizadas na vida empresarial e são inúmeras as definições desse conceito. Dependendo do contexto no qual é empregada, esse termo pode ter o significado de política, objetivo, tática, meta, programa, entre outros. Dentre os muitos conceitos de estratégia, um dos mais utilizados a define como o conjunto de planos da alta administração de uma empresa para alcançar resultados consistentes com os objetivos gerais da organização.

Quando penso em estratégia logo me vem à mente uma partida de xadrez, um dos jogos de tabuleiro mais populares do mundo e de natureza altamente complexa e competitiva com todas aquelas táticas planejadas e exercitadas para atingir a meta de vencer o “exército” do adversário. Analisando esse conceito na área de gestão, as ações estratégicas são extremamente importantes no planejamento e na execução de um projeto.

O xadrez por ser um jogo de estratégia e tática, que requer habilidades de pensamento lógico, não envolve o elemento sorte. Cada enxadrista controla dezesseis peças com diferentes formatos e características, com as quais usa estratégias para direcionar seus movimentos no tabuleiro com o objetivo de dar xeque-mate no adversário e vencer a partida.

Observando com cuidado, encontrei vários aspectos comuns entre a gestão de projetos de TI e uma partida de xadrez. Veja a seguir uma correlação entre as principais peças ou elementos do jogo e as áreas de conhecimento.

 

Integração – Tabuleiro

É o núcleo do gerenciamento composto principalmente pelos processos que o GP utiliza para garantir que todos os componentes do projeto funcionem juntos. É no tabuleiro que todas as peças, independentemente de sua importância, se movimentam de acordo com as estratégias selecionadas por cada enxadrista. Podemos compará-las às habilidades gerais de gerenciamento, como boa comunicação, organização, negociação, administração de conflitos e de interesses.

Este é um processo contínuo de execução diária do GP na coordenação de atividades, recursos, premissas, restrições e riscos de forma a completar o trabalho previsto, permitindo que o projeto prossiga do início até o final.

 

Escopo – Rei

O rei é sem sombra de dúvida, a principal peça no tabuleiro de xadrez. Capturar o rei adversário é o objetivo fundamental do jogo. No projeto, o controle gerencial de escopo (obviamente não se esquecendo de custos e tempo) tem como objetivo facilitar a execução e completar o projeto com sucesso (ganhar a partida). O escopo (o rei no xadrez) é o que se pretende.

Infelizmente quando nosso próprio rei sofre um xeque-mate, a partida está perdida. O mesmo “xeque-mate” pode ocorrer com o escopo que não tem processos de gestão garantindo que apenas o trabalho exigido (e somente o exigido) para completar o projeto será executado. O escopo é o foco do projeto como o rei é o foco do jogo.

 

Tempo – Torre

Definir, sequenciar, estimar e controlar as atividades requeridas para o término do projeto, garantindo que o mesmo cumpra com os prazos definidos são os principais objetivos da gestão do tempo.

Apesar de ser uma peça mais forte que o bispo e o cavalo, as torres só podem fazer dois movimentos, horizontal e vertical. Então podemos observar certa limitação. Tal qual no projeto, também temos alguns limites em relação ao prazo, sendo vital seu controle. Seja por imposição de mercado, restrição legal ou até mesmo uma determinação da alta gerência. Nem sempre o prazo pode ser modificado quando necessário. Há situações numa partida em que gostaríamos que a torre se movimentasse diagonalmente, mas infelizmente pela regra isso não é possível.

Outra característica comum é que se estiver tudo caminhando de acordo com o cronograma planejado, ninguém se preocupa com o prazo. Da mesma forma, raramente precisamos mover as torres, a não ser que seu rei esteja sob ameaça, ou a medida faça parte das suas táticas de ataque.

 

Custos – Cavalo

A gestão do custo juntamente com a gestão do prazo são as áreas de maior exigência dentro de um projeto, pois são as mais visíveis. Através da gestão dos custos, com o uso de algumas técnicas, o gerente pode conduzir o projeto ao aumento de receitas, reduções de custos e obter níveis maiores de produtividade.

A gestão de custos é um processo em que se utiliza um conjunto de técnicas multidisciplinares, que nos permite compreender a origem dos custos. Através da gestão dos custos o gerente pode conduzir ao aumento de receitas, reduções de custos e obtenção de melhores níveis de produtividade.

Assim como a torre, o cavalo no xadrez também tem seu movimento limitado, este último no formato de um “L”. Isso nos obriga a usá-lo com planejamento, estratégia e muita criatividade. Serve para o ataque, mas principalmente para a defesa. Frequentemente posicionado para defender peças mais valiosas, como as torres, os bispos, rainha e rei. Tal como os custos que serão necessários para a conclusão do projeto, o uso do cavalo deve ser controlado, caso contrário poderemos terminar a partida sem nenhuma dessas peças ou pior, perdendo a partida.

 

Qualidade – Rainha

No tabuleiro a rainha é a peça mais poderosa. Move-se em qualquer direção, quantas casas forem possíveis ou desejadas, é importante para ataque e defesa. O jogador que consegue mantê-la, tem praticamente decretado como certa sua vitória.

Quando falamos sobre gestão da qualidade, a grande preocupação é evitar falhas. Além de assegurar que o produto ou serviço satisfaça as necessidades e os requisitos do cliente. Está ainda compreendido o gerenciamento dos processos de gestão do projeto, que deve basear-se em métricas definidas que fornecem informações sobre a qualidade dos processos ao longo do projeto.

Às vezes nos projetos a qualidade é impactada negativamente em função de recuperação de atrasos, redução de custos ou alterações no escopo. A rainha de forma semelhante, muitas vezes é sacrificada para protegermos o rei. Na maioria dos casos quando adotamos essa estratégia, raramente alcançamos a vitória na partida ou o sucesso no projeto.

 

Resumo comparativo:

xadrex_01

 

Final da 1ª parte. Você concorda ou discorda? Deixe seu comentário.

Na próxima publicação, a 2ª e última parte deste artigo.

 


Referências:

PMBOK – PMI 5ª Ed. (definições sobre gerenciamento de projetos)

Wikipedia.org/wiki/Xadrez (definições sobre o jogo de xadrez)

Figura do post: “Checkmate” – Licença CC BY-SA 3.0

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