Como direcionar a carreira para sobreviver à Quarta Revolução Industrial?

Por em janeiro 27, 2016 - Visualizado 768 Vezes

A juventude está confusa quanto ao seu futuro. Por um lado, os jovens estão confiantes na tecnologia; por outro, estão divididos economicamente em relação às chances de carreira e insatisfeitos com sua atual educação profissional. Pelo menos essa é uma constatação da pesquisa “Ampliando o Potencial Humano: Educação e Habilidades para a Quarta Revolução Industrial”, divulgada a Infosys.

O levantamento, conduzido pela agência de pesquisa independente Future Foundation, ouviu 1 mil jovens por país, com idades entre 16 e 25 anos, na Austrália, Brasil, China, França, Alemanha, Índia, África do Sul, Reino Unido e Estados Unidos.

No geral, os entrevistados em todos os países pesquisados entendem o papel que a TI desempenhará em suas carreiras e a necessidade de aumentar suas próprias habilidades, há uma clara disparidade em confiança técnica e oportunidades de emprego entre países de economias desenvolvidas e emergentes.

A pesquisa identificou que os jovens reconhecem o papel das habilidades com tecnologia para assegurar boas oportunidades na carreira, com uma clara maioria tantos nos países emergentes (74% na Índia e 71% na China) como nas economias desenvolvidas (60% na França e 59% no Reino Unido), declarando que os temas de ciências da computação são ferramentas de aprendizado essencial.

Em economias emergentes, como a China e o Brasil, 68% dos entrevistados estão preocupados que a falta de habilidades em tecnologia torne cada vez mais difícil para os jovens avançarem em seus propósitos de carreira.

Isso, em parte, pode oferecer motivação para os jovens buscarem as habilidades técnicas que precisam – atualmente cerca de 78% no Brasil e na Índia estão confiantes que possuem as habilidades necessárias para uma carreira futura bem-sucedida. Em contraste, o sentimento é menor em países desenvolvidos, incluindo 53% na França e 51% na Austrália.

Os dados seguintes mostram uma lacuna grande em conhecimento técnico entre economias emergentes e desenvolvidas. Por exemplo, há uma lacuna de 30% entre jovens homens indianos (81%) e seus congêneres nos EUA (51%). Entre as mulheres que responderam, a lacuna é de 28% entre Índia (70%) e os EUA (42%) e de 37% com o Reino Unido (33%).

Em economias desenvolvidas, os jovens trabalhadores sentem uma forte pressão para encontrar trabalhos bem pagos. De acordo com a pesquisa, 76% dos jovens trabalhadores na França acreditam que as perspectivas de emprego são piores do que na geração de seus pais. Este dado contrasta de forma destoante com as economias emergentes pesquisadas, onde a minoria dos jovens, por exemplo, na Índia 49%, acredita que suas oportunidades de trabalho são piores do que a das gerações anteriores.

“Os dados também indicam que a disparidade existente nas perspectivas tecnológicas entre economias emergentes e desenvolvidas está ligada à educação estabelecida há muito tempo nos países desenvolvidos, à empregabilidade e as estratégias econômicas”, estampa um relatório.

De acordo com a pesquisa, nas economias emergentes pesquisadas possuem uma inércia institucional menor para enfrentar, embarcaram em seus crescimentos econômicos mais recentemente e, por isso, podem abraçar de maneira mais flexível a tecnologia emergente. Os mercados emergentes também têm acelerado investimentos em educação, impulsionados pelo crescimento econômico.

A Infosys constatou que, nos Estados Unidos, 45% dos entrevistados consideram que sua educação acadêmica é muito ou bastante antiquada e que a educação falha em suportar os objetivos de carreira, comparado com 37% na China. No Reino Unido e Austrália, 77% dos participantes precisaram aprender novas habilidades por si próprios para realizarem seus trabalhos, e a educação de suas escolas ou universidades não os preparou para o ambiente de trabalho, comparado com 66% na Índia.

Futuro do trabalho

A força de trabalho de amanhã também entende que, como a tecnologia elimina cada vez mais tarefas rotineiras, eles precisarão buscar o aprendizado contínuo para desenvolver novas habilidades e focar em inteligência emocional, que os computadores não estarão aptos a realizarem.

Nesse contexto, o aprendizado é uma jornada para a vida toda. A pesquisa revela que, entre 78% (Brasil) e 65% (China) dos jovens de 16 a 25 anos estão dispostos a fazer uma reciclagem educacional completa se necessário. Cerca de 80% dos jovens em todos os mercados concordam que desenvolvimento contínuo de habilidades é essencial para ter sucesso no trabalho.

Evidenciado em todas as regiões estão o papel da comunicação, da capacidade de se relacionar e da habilidade de resolução de problemas em ambientes de trabalho modernos e orientados à tecnologia. Enquanto o desempenho acadêmico foi votado como prioridade entre 50% (África do Sul) e 36% (Alemanha), comunicações, aprendizado e resolução de problemas no trabalho foi muito mais votado. Habilidades em comunicação foram votadas entre 86% (Austrália) e 79% (Brasil), enquanto o aprendizado dentro do trabalho foi votado entre 85% (Brasil) e 76%( Alemanha).

O estudo, por fim, mostrou que a estabilidade empregatícia é importante para os jovens de hoje, com a maioria sem inspirações para trabalhar em novos empreendimentos voláteis. Muitos, especialmente em economias desenvolvidas, estão relutantes quanto a abrirem seus próprios negócios. Ao invés disso, eles preferem um emprego com estabilidade em empresas de médio e grande porte. E a diferença de gêneros nas carreiras na área da ciência, tecnologia, engenharia e matemática continuam prevalecendo, mas é mais evidente em países desenvolvidos do que naqueles em desenvolvimento.

A lacuna de gênero em habilidades tecnológicas ainda não foi solucionada. A pesquisa revela que os homens, em todos os países pesquisados, são mais propensos a terem conhecimentos de TI e vontade de aumentar esses conhecimentos. Em mercados emergentes como Índia (81% masculino para 70% feminino) e China (68% masculino para 59% feminino), assim como em economias desenvolvidas como Estados Unidos (51% masculino para 42% feminino), a lacuna é muito menos evidenciada com níveis mais altos de percepção de competência em economias emergentes.

No entanto, em outras economias desenvolvidas como França (49% masculino para 24% feminino), Alemanha (49% masculino para 269% feminino) e o Reino Unido (62% masculino para 33% feminino), a lacuna entre os gêneros em habilidade com tecnologia é significativamente maior.

No geral, os jovens estão conscientes que a Quarta Revolução Industrial irá impulsionar uma série de forças disruptivas no mercado de trabalho: da próxima geração de Internet das Coisas e Big Data até ambientes de trabalho que serão drasticamente modificados pela automação, inteligência artificial e tecnologias similares. A juventude de hoje entende que precisa ser ágil, aberta ao aprendizado e capaz de operar em ambientes globais para criar uma carreira duradora.

Fonte: computerworld.com.br

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