A Luz Vermelha

Por em abril 1, 2014 - Visualizado 1625 Vezes

Por   Eduardo Militão Elias, PMP.

É natural procurarmos equilíbrio e tranquilidade em tudo o que fazemos. Navegar em um grande barco por águas calmas exige menos concentração e maior conforto. Uma embarcação enxuta sobre águas turbulentas consome o esforço limite da tripulação. Mesmo em águas calmas, um iceberg pode acabar com a zona de conforto e exigir uma resposta eficaz.

Este é o mais importante papel que tem sido atribuído à luz vermelha. Seja em semáforos, seja em painéis de controle, ou, ainda, em sinalização de incêndio, o vermelho é a cor preferida para alertar, e existe uma explicação científica para isso.

Tudo o que vemos é luz. Essa luz é composta por todas as cores que identificamos em nosso campo visual. A paisagem colorida de uma montanha desaparece ao anoitecer, quando não há luz para refletir as cores em nossos olhos. Todas as cores coexistem dentro da luz.

Quando expomos um raio de luz branca à refração através de partículas de água ou de um prisma, formam-se as cores do arco-íris. Quando a luz branca passa pela superfície do prisma, ela sofre refração e se decompõe em várias cores. Isso ocorre porque cada cor é uma onda eletromagnética com velocidade distinta. Quanto mais rapidamente a onda refrata no prisma, menor é o ângulo de desvio de sua trajetória.

Dentre todas as cores que se decompõem no prisma ou no arco-íris, sete delas destacam-se sempre na mesma ordem: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta. Através da observação desse fenômeno, descobriu-se que o vermelho é a cor mais rápida na luz branca, pois sua trajetória é menos desviada durante a refração.

Não é à toa que, quando queremos chamar a atenção para algo, utilizamos o vermelho.

Grandes marcas aplicam o vermelho em seus logotipos e anúncios. As pessoas que vestem roupas da cor vermelha destacam-se no meio de outras cores. Quando se trata de atrair a atenção, o vermelho é absoluto entre as cores e os sinais visuais.

A luz vermelha interrompe a calmaria e chama a atenção para algum fato. Emitir sinal vermelho é indispensável em comunidades com foco em resultado. A luz vermelha aplicada nos alertas dita o compasso de ações e reações, associadas a algum parâmetro que pode ser trabalhado. Ela pulsa sinais de oportunidades para obtermos o máximo daquele parâmetro e alertas para não expormos o parâmetro a Riscos indesejados.

Apesar do estresse momentâneo que todo alerta proporciona, a luz vermelha é uma aliada do projeto. Segui-la ou ignorá-la pode significar a diferença entre o fracasso e o sucesso.

O verde é a cor com o maior contraste sobre o vermelho e, em sinais de alerta, indica exatamente o contrário: falta de problema, conformidade com os parâmetros e conformidade com a situação. O relatório com sinais verdes é sinônimo de conformidade, o que gera mais conforto do que oportunidades de melhoria. O verde é o mais perigoso alerta que podemos emitir para um projeto.

Imagine um cruzamento de duas vias expressas com um sistema de sinalizador de semáforos com defeito: um dos sinais com defeito emitiu o sinal vermelho no lugar do verde por engano, sinalizando pare para ambas as direções, causando problemas de tráfego lento e congestionamento desnecessário.

Ao compararmos os impactos desta falha de comunicação à emissão equivocada de dois sinais verdes nos semáforos, simultaneamente para ambas as direções, entendemos o perigo que se esconde por trás da calmaria de uma luz verde.

Acender uma luz verde ou vermelha pode fazer a diferença no sucesso do projeto. Os relatórios precisam ser enriquecidos pelos alertas, e a inversão de cores é ruim de qualquer forma. Entretanto, a inversão do vermelho pelo verde, as chamadas melancias atômicas, ameaça especialmente a saúde do projeto.

Este livro trata de diversos assuntos, entre teorias e práticas, mas a importância da Comunicação está sempre presente. Coleta, filtro, armazenamento, tratamento e distribuição de dados são fundamentais para o sucesso do projeto, e o PMO tem atribuições importantes nesse processo, criando os padrões, desenvolvendo métricas, monitorando os projetos e gerenciando o conhecimento. Agindo assim, não acabaremos, definitivamente, com todas as melancias atômicas do projeto, porém deixaremos de caminhar em um campo minado de melancias.

A você que caminhou até aqui, antes de entrarmos em questões mais de ordem prática, deixamos a mensagem de “começar pequeno pensando grande” e perseguir as oportunidades que se escondem por trás dos sinais vermelhos. Desconfie quando não houver luz vermelha, pois algo ruim deve estar para acontecer.

 

Texto extraído do livro: A Melancia Atômica – Cinco passos para o Controle.

Autor: Eduardo Militão Elias

Edição Livre: ©Construtora Iben Ltda. – PMI Consultant Registered Provider

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